Relatório analisa desempenho e desafios do setor têxtil
Por Eleni Kronka – jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
Relatório setorial do IEMI, com apoio institucional da ABIT e do SENAI CETIQT, reúne dados de 2021 a 2025 e traça um panorama dos principais elos da cadeia têxtil e de confecção.
O IEMI – Inteligência de Mercado faz ampla coleta e análise de dados do setor têxtil e de confecção reunidos na edição 2026 do Brasil Têxtil – Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira, publicação anual que, aliás, chega à sua 26ª edição.
Com apoio institucional da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e do SENAI CETIQT (Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil), o relatório apresenta um panorama da atividade entre 2021 e 2025.
O levantamento abrange diferentes dimensões do setor, incluindo unidades fabris, produção, consumo, distribuição, emprego, parque de máquinas, investimentos e comércio exterior. A análise contempla os principais elos da cadeia – fiação, tecelagem, malharia, beneficiamento e confecção – e reúne informações sobre o perfil de 771 empresas.
Pós-pandemia e pressão competitiva
Marcelo Prado, diretor do IEMI, destaca que o período analisado foi marcado por eventos desafiadores, tais como: juros elevados, inflação persistente, restrição ao crédito e endividamento das famílias, além de desequilíbrios fiscais. “A esses fatores somaram-se o avanço das importações e a concorrência de produtos estrangeiros comercializados por meio de pequenas encomendas desoneradas e insuficientemente regulamentadas”, observa.
Segundo Prado, esse ambiente pressionou margens, produção e empregos, ao mesmo tempo que estimulou iniciativas de inovação, reposicionamento estratégico e busca por produtividade. “Com dados regionais, recortes por porte empresarial e especializações produtivas, o relatório utiliza os Painéis de Pesquisas Anuais do IEMI e fontes como IBGE, RAIS, Secex, Centro de Comércio Internacional (ITC) e Organização Mundial do Comércio (OMC).”
Soberania produtiva em pauta
Na avaliação de Ricardo Steinbruch, presidente da ABIT e Fernando Pimentel, diretor-superintendente da ABIT, as transformações geopolíticas, tecnológicas e ambientais vêm redefinindo a competitividade global. “A reorganização das cadeias de valor, o fortalecimento das políticas industriais e a ampliação dos mecanismos de defesa comercial colocam a soberania produtiva no centro das estratégias econômicas.”
Os executivos ressaltam que o Brasil dispõe de uma cadeia têxtil e de confecção completa, do campo ao produto final, que emprega cerca de 1,3 milhão de pessoas e está presente em praticamente todo o território nacional. “Essa estrutura constitui um ativo estratégico, ao integrar produção de fibras, indústria química, fabricantes de máquinas, institutos tecnológicos, universidades e empresas de diferentes portes.”
Sustentabilidade e perspectivas
A agenda setorial também avança em sustentabilidade, economia circular, rastreabilidade e descarbonização. Entre as iniciativas destacadas pela entidade está a parceria entre a ABIT e a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) para desenvolver uma metodologia de mensuração dos resíduos têxteis pós-consumo.
Ao reunir dados sobre o desempenho recente da indústria e seus desafios estruturais, o Brasil Têxtil 2026 oferece subsídios para decisões empresariais e políticas públicas. A publicação, que também contribui para avaliar as perspectivas de médio e longo prazo de uma cadeia produtiva relevante para a economia do país, está pode ser aquirida por meio do site do iemi.com.br ou diretamente na página dedicada ao estudo. Se preferir, fale com um consultor do IEMI.