Febratex GroupSem categoria Confecções e Varejo: desafios e oportunidades nesta relação vital

Confecções e Varejo: desafios e oportunidades nesta relação vital

Por Eleni Kronka – jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.

Estudo aponta gargalos em incentivos, avanços em sustentabilidade e perspectivas para o mercado de vestuário.

O IEMI – Inteligência de Mercado traz informações aprofundadas e atuais sobre a relação crucial entre os dois elos estratégicos da cadeia de vestuário: a confecção e o varejo. O levantamento, conduzido ao longo de 2025, traz informações relevantes sobre produção, comercialização, capacitação, sustentabilidade e parcerias comerciais.

Intitulado Pesquisa IEMI com Confecções Brasileiras – Inclusão Digital, Capacitação, Parcerias com Grandes Redes e Sustentabilidade, o estudo ouviu 280 indústrias de confecção instaladas majoritariamente nas regiões Sudeste (54%) e Sul (38%), seguidas pelo Nordeste (6%) e Centro-Oeste (3%). Em média, essas empresas atuam há 21 anos no mercado.

Perfil das confecções entrevistadas

Do total de empresas participantes, 54% são pequenos produtores, 23% médios, 20% micro e apenas 3% grandes indústrias. O levantamento contempla fabricantes de diversos segmentos da moda, com destaque para moda feminina (57%) e masculina (40%). Também estão representados os segmentos infantil (17%), jeanswear (12%), moda íntima/dormir (10%), moda esportiva e fitness (9%), moda praia (4%) e bebê (1%).

Em busca de incentivos

A relação entre confecções e varejo ocupa papel destacado na pesquisa do IEMI. Parcerias colaborativas podem gerar ganhos mútuos e fortalecer a integração entre produção e distribuição, mas os dados indicam que esse potencial pode ser trabalhado de forma mais acentuada.

O consultor e diretor do IEMI, Marcelo Prado, destaca que os incentivos oferecidos pelas redes varejistas, segundo a pesquisa, contêm limites. “Do total de confecções ouvidas, 74% delas afirmam não ter recebido incentivo, orientação ou apoio técnico por parte das redes varejistas locais para a melhoria dos processos”.

Sustentabilidade lidera os apoios existentes

Entre os 26% de empresários que afirmam receber algum tipo de apoio das redes varejistas, os incentivos concentram-se principalmente em práticas sustentáveis. Segundo Prado, esses fabricantes apontam como principais frentes de apoio: “práticas sustentáveis”, tais como uso de materiais recicláveis e eficiência energética (73% dos entrevistados); “aumento de produtividade”, com consultorias e treinamento (65%), ou ainda “acesso a tecnologias”, tais como plataformas digitais e automação (14%).

Ferramentas compartilhadas e capacitação técnica

O grupo de confecções que mantém parcerias com redes varejistas detalha com mais precisão os tipos de incentivos recebidos para a melhoria dos processos produtivos. “O compartilhamento de ferramentas ou plataformas destaca-se entre os itens concedidos nestas parcerias, com 41% das respostas”, revela Marcelo Prado.

Na sequência aparecem o apoio técnico (35%), traduzido em consultoria e capacitação, seguido pelas “parcerias com instituições como Senai e Sebrae” (19%). O “apoio financeiro” surge como o item menos citado, representando apenas 2% das respostas.

Interesse e preparo para o mercado internacional

A pesquisa do IEMI também amplia o olhar para a atuação das confecções brasileiras no mercado externo. “Atuar no plano internacional, seja por parcerias ou por fornecimento direto, mostraria um aspecto relevante da empresa de moda”, observa Prado.

Nesse contexto, 12% das 280 empresas entrevistadas afirmam já ter sido abordadas por alguma rede de varejo internacional interessada em fornecimento. Outros 56% dizem que ainda não foram procuradas, enquanto 33% preferiram não informar.

Quando questionadas sobre o interesse em realizar negócios com redes internacionais, 13% das confecções manifestam forte disposição para atuar nesse mercado. Para 30%, o interesse existe, “dependendo de condições específicas” propostas. Já 57% afirmam não ter interesse, no momento, em vendas para redes internacionais.

Confiança na capacidade produtiva

Apesar das restrições, o nível de confiança das empresas quanto à capacidade de atender o mercado externo é elevado. Marcelo Prado assinala que 76% dos empresários ouvidos sentem-se “totalmente preparados” para atender às redes internacionais. “Mas 14% dos fabricantes ouvidos sentem-se parcialmente preparados. Outros 6% já se dizem em fase inicial de preparação, enquanto 4% não se veem preparados”, comenta o executivo do IEMI.

Percurso dos dados

No mundo cada vez mais conectado, a busca e acesso a dados tornou-se parte integrante do dia a dia dos profissionais de todas as áreas. Para prover a cadeia de moda – da produção à distribuição –, o IEMI disponibiliza estudos indispensáveis para a tomada de decisões no dia a dia. Saiba tudo sobre o que acontece hoje no mercado de moda acessando iemi.com.br, ou ainda os Estudos de Mercado IEMI. Tenha acesso também aos conteúdos IEMI para uma visão panorâmica do mercado brasileiro do têxtil e vestuário.

Translate »