A influência do têxtil no paraquedismo
Sempre tive uma fascinação pelo paraquedismo. Sempre achei um dos esportes mais radicais que existem e talvez essa admiração tenha também relação com uma característica que, para quem trabalha com a indústria têxtil, chama bastante atenção: boa parte da segurança e do desempenho de um paraquedas depende justamente dos tecidos, fios e materiais que compõem o equipamento.
E essa relação entre o paraquedismo e a indústria têxtil vem de muito tempo.
No final do século XVIII, André-Jacques Garnerin realizou um dos primeiros grandes marcos da história do paraquedismo ao saltar de um balão, em Paris, utilizando um paraquedas de seda.
Com o desenvolvimento da aviação e do próprio paraquedismo, os materiais também evoluíram.
Uma transformação importante aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Com a dificuldade de acesso à seda japonesa, o nylon passou a ser utilizado como alternativa. O material foi empregado tanto no tecido quanto nas linhas dos paraquedas militares, ajudando a consolidar o uso das fibras sintéticas nesse tipo de aplicação.
As décadas seguintes trouxeram novas mudanças no desenho e nos materiais. Os tradicionais paraquedas redondos deram cada vez mais espaço aos velames retangulares do tipo ram-air, que oferecem maior capacidade de controle durante o voo e pousos mais suaves.
A evolução dos tecidos continuou. A partir do início dos anos 1990, fabricantes passaram a utilizar com maior frequência materiais conhecidos como Zero-P, ou Zero Porosity. Esses tecidos de nylon recebem um revestimento que praticamente impede a passagem do ar pelo material, aumentando o desempenho e também a vida útil do velame.
Segundo a United States Parachute Association (USPA), os paraquedas esportivos modernos são normalmente produzidos com nylon de zero porosidade e podem permanecer em operação por milhares de saltos, dependendo das condições de uso e manutenção.
Talvez tudo isso me chame ainda mais atenção porque o paraquedismo também faz parte das minhas próprias experiências.
Uma das coisas mais legais que já fiz na vida foi saltar no Havaí. Lá de cima, vendo o mar e as ilhas, tive uma experiência que nunca esqueci. E é curioso pensar que, naquele momento, além do instrutor e de todo o treinamento envolvido, eu também estava literalmente confiando em décadas de desenvolvimento de materiais, fios e tecidos.
É mais um exemplo de como a indústria têxtil está presente em lugares em que muitas vezes nem percebemos.
Do vestuário aos esportes de alto desempenho, da aviação ao paraquedismo, a pesquisa em materiais têxteis ajuda a desenvolver produtos cada vez mais leves, resistentes, duráveis e seguros.
E são justamente essas diferentes aplicações da tecnologia têxtil que queremos aproximar cada vez mais do público das nossas feiras.
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Fontes: Smithsonian National Air and Space Museum, registros históricos sobre André-Jacques Garnerin e o desenvolvimento inicial do paraquedas; U.S. Army Center of Military History, registros sobre a substituição da seda pelo nylon em paraquedas durante a Segunda Guerra Mundial; Federal Aviation Administration (FAA), Parachute Rigger Handbook; United States Parachute Association (USPA), informações técnicas sobre velames e materiais utilizados no paraquedismo.
Obrigado!
Hélvio Pompeo Jr. – diretor de operações do Febratex Group