Meu avô, Lito Sousa e os têxteis na aviação
Por Hélvio Pompeo Jr.
Sempre gostei muito de avião, ainda mais porque meu avô Nelson era piloto. Ele tirou seu brevê fazendo uma permuta com o Aeroclube de São Borja, aqui no Rio Grande do Sul, e também entendia muito de mecânica.
Talvez por isso eu também tenha me identificado tanto com o trabalho de Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas. Mecânico de aeronaves e piloto, Lito dedicou boa parte de sua trajetória a explicar a aviação de forma simples e ajudou muita gente a entender melhor os aviões e até a perder o medo de voar. Infelizmente, ele faleceu recentemente, aos 59 anos, em decorrência da doença de Creutzfeldt-Jakob.
Meu avô também tinha suas histórias com a aviação. Em uma de suas viagens, precisou fazer um pouso forçado em um campo de cebolas, em Santa Maria. Segundo a história que sempre ouvimos na família, o avião acabou atingindo um grande cupinzeiro e ficou completamente destruído.
Meu avô sobreviveu, mas carregou sequelas pelo resto da vida. Uma delas era uma cicatriz no rosto, que começava no queixo, atravessava o nariz e chegava até a testa.
Foi através do meu avô e, mais tarde, dos conteúdos do Lito Sousa, que comecei a prestar ainda mais atenção às partes mecânicas e industriais de um avião.
E havia também uma imagem que sempre ficou na minha memória: a jaqueta do meu avô, com gola de lã, que fazia com que ele parecesse um daqueles pilotos da Segunda Guerra Mundial.
Foi justamente essa lembrança que me levou a pesquisar o quanto a indústria têxtil também está presente na aviação.
E ela está muito mais presente do que parece.
Materiais têxteis e fibras de alto desempenho fazem parte tanto da estrutura quanto do interior das aeronaves. Compósitos reforçados com fibra de vidro e fibras de aramida, por exemplo, são utilizados há décadas em aplicações aeronáuticas por características como resistência, baixo peso e desempenho estrutural.
Dentro das cabines, os materiais também precisam atender a exigências específicas de segurança. Tecidos de assentos, revestimentos, carpetes e materiais de isolamento térmico e acústico estão sujeitos a requisitos de resistência à chama e outros critérios estabelecidos pela regulamentação aeronáutica.
Ou seja, quando entramos em um avião, estamos cercados por soluções que também passam pela indústria têxtil, mesmo que muitas vezes não percebamos.
Essa é a minha história com a indústria têxtil e a aviação. Ela começou com meu avô, ganhou ainda mais curiosidade com os conteúdos do Lito Sousa e continua toda vez que descubro uma nova aplicação dos materiais têxteis neste setor tão avançado tecnologicamente.
O Brasil também ocupa uma posição relevante nessa indústria. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país está entre os poucos do mundo capazes de projetar, certificar e produzir aeronaves completas, com diferentes polos industriais e uma cadeia de fornecedores ligada à aviação comercial, executiva e de defesa.
E, claro, com a Embraer como uma das grandes representantes dessa capacidade tecnológica brasileira.
Tudo isso mostra como a indústria têxtil pode estar presente onde muitas vezes nem imaginamos, desenvolvendo soluções para setores altamente tecnológicos, como a aviação. E é justamente esse tipo de aplicação e inovação que queremos mostrar cada vez mais nas nossas feiras.
Se quiser conhecer mais sobre tecnologia, materiais e inovação na indústria têxtil, não deixe de visitar nossas feiras em 2027:
Tecnotêxtil Brasil
27 a 30 de abril de 2027
Americana/SP
Goiás Tech Fashion
22 a 24 de junho de 2027
Goiânia/GO
Maquintex + Signs + Pack&Graph
5 a 7 de outubro de 2027
Obrigado!
Hélvio Pompeo Jr. – diretor de operações
Fontes: Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), requisitos aplicáveis a materiais de interiores de aeronaves; NASA, estudos sobre materiais compósitos aplicados à aviação; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), informações sobre o setor aeronáutico brasileiro; Agência Brasil, informações biográficas sobre Lito Sousa.