Como os preços altos dos fretes internacionais podem ajudar a produção interna no Brasil?
Por Hélvio Pompeo Jr.
Sempre gostei de água. Surfo desde pequeno nas praias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, e o mar sempre esteve presente na minha vida.
Quando escolhi minha graduação em Negócios Internacionais, tinha apenas uma referência na literatura que fazia relação direta com o meu trabalho: a empresa da minha família, que organiza feiras e eventos.
No primeiro capítulo de um dos livros, havia uma frase muito clara que mexeu comigo: a primeira ação para exportar é participar de feiras de negócios em outro país. Aquilo foi um incentivo para eu continuar no curso.
E, quando falamos no Dia Marítimo Mundial, vale refletir sobre a importância desse modal para a economia global. Mais de 80% do comércio mundial em volume é transportado por via marítima, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
O custo desse transporte também impacta diretamente o preço final dos produtos. Para se ter uma ideia da volatilidade atual, o frete marítimo entre China e Brasil chegou à casa dos US$ 10 mil por contêiner em 2026, enquanto, em condições consideradas normais, os valores ficariam entre US$ 2 mil e US$ 3 mil, segundo dados apresentados por um executivo do setor de logística ao Comex Tech Forum e publicados pela CNN Brasil. Cotações de mercado para a rota Xangai-Santos no início de setembro também chegaram a patamares próximos de US$ 10 mil para contêineres de 40 pés.
Em um momento de instabilidade internacional, com riscos de novos conflitos, problemas de abastecimento, escassez de contêineres, gargalos logísticos e fatores climáticos, depender menos de fornecedores externos pode representar uma vantagem importante.
No Brasil, muitas indústrias têxteis ainda são verticalizadas e, por isso, conseguem reduzir parte da exposição a esses riscos.
Cabe ao empresário e ao empreendedor da moda avaliar com cuidado antes de depender 100% do comércio exterior. Também é importante olhar para quem produz no Brasil, buscar maior previsibilidade de preços e garantir estoques com menos exposição às oscilações internacionais.
É justamente nesse cenário que os encontros de negócios ganham ainda mais importância: aproximam fornecedores e compradores e permitem conhecer alternativas de fornecimento, tecnologias e insumos disponíveis tanto no mercado nacional quanto internacional.
Além disso, fortalecer quem produz no país significa movimentar toda a nossa cadeia têxtil, da matéria-prima ao varejo. O setor reúne cerca de 1,3 milhão de empregos formais diretos e aproximadamente 8 milhões de postos de trabalho quando considerados também os empregos indiretos e o efeito renda, segundo dados da Abit e do IEMI citados pelo Ipea.
Fontes: UNCTAD, At Maritime Summit, UNCTAD highlights impact of disruptions, julho de 2026; IMO, World Maritime Day 2026-2027; CNN Brasil, Frete marítimo e tarifas pressionam comércio exterior brasileiro, 2 de setembro de 2026; Ipea, Radar nº 80, dezembro de 2025, com dados de Abit e IEMI.
Hélvio Pompeo Jr.
Diretor de Operações
Febratex Group